29/10/2026 18h31 - Atualizada em 30/10/2026 06h28 Por Aline Miranda
Um documento de compromisso de ações e metas compartilhadas, bem como de alertas à sociedade civil e de reivindicações ao poder público, será apresentado neste segundo e último dia do Seminário de Assistência Técnica e Extensão Rural (Ater) da Amazônia - Saberes e Territórios, que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) e o Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS) promovem em Belém, capital do Pará.
Assinada coletivamente por Emater, instituições parceiras em nível nacional e organizações sociais de agricultores tradicionais, indígenas e quilombolas, a Carta de Ater será encaminhada ao Governo do Pará e ao Governo Federal, bem como servirá de instrumento imediato de negociação em frentes interessadas e de proposta de embasamento para a formulação e execução de políticas públicas sobretudo ao longo de 2027.
“É um registro atualizado de demandas, observações e diagnósticos com o objetivo de bem comum, sob a égide de preservação ambiental, respeito e protagonismo dos povos da floresta e importância do Estado na garantia e promoção de cidadania, dignidade e desenvolvimento sustentável”, aponta a coordenadora técnica da Emater, veterinária Cristiane Corrêa, especialista em Bovinocultura Leiteira e mestra em Agricultura Familiar e Desenvolvimento Rural Sustentável.
Para três lideranças femininas do Igarapé Baiaquara, em Acará, na região do Tocantins, um dos desafios da existência rural na Amazônia paraense ainda é a “invisibilidade”: “As entidades precisam começar a nos enxergar de verdade e nossas vozes precisam ser ouvidas, porque o que nos chega de direito real é inexpressivo perto das nossas potencialidades: se, só com a enxada e o terçado na mão, ferramentas do ‘tempo do ronca’, já nos destacamos e fortalecemos nossa existência, o acesso a crédito e a tecnologia e a abertura de mercados somariam muito mais, para que consigamos produzir melhor nos pequenos espaços e com manutenção dos recursos naturais”, contextualiza Edenilze Silva, de 37 anos, secretária da Associação de Moradores e Agricultores do Igarapé Baiaquara (Amaib).
Ela participa do evento junto com a presidente da Amaib, Sandra Monteiro, e a filha dessa, também associada: Márcia Monteiro, de 39 anos.
A Amaib foi constituída em 2001 e desde então vem se consagrando como um grupo comandando em sua maioria por mulheres.
"A gente, mulheres, manda na Comunidade, manda na Associação e manda dentro de casa. É o suprassumo do Feminismo campesino", brinca Márcia.
Seminário
O Seminário de Ater consta de uma programação maior que o IEBS realiza desde terça (27) até sexta-feira (30), no Parque de Bioeconomia, no Porto Futuro II, no bairro do Reduto, para a conclusão do quatros anos do cronograma do Projeto Rural Sustentável (PRS) Amazônia no Pará.
A parceria do PRS é com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), o Governo do Reino Unido e o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa).
Todo o conteúdo destes três dias de encontro e interlocução está sendo transmitido ao vivo, com acesso livre e gratuito, pelo canal do IABS no Youtube: youtube.com/iabstv/streams.
Entre painéis e rodas-de-conversa sobre temas sensíveis como “enfrentamento das mudanças climáticas” e “juventude rural”, os convidados aproveitam para conhecer produtos da agricultura familiar da Amazônia na Feirinha da Sociobiodiversidade, uma instalação de economia solidária dentro do evento.
Os expositores são 12 empreendedores atendidos pela Emater na Região Metropolitana de Belém (RMB), além de grupos indicados pelo IABS. Biojoias, chocolate caseiro e polpa congelada de açaí podem ser adquiridos junto com a história de ancestralidade e de tradição.
O cacique Jordy Xipaia, de 32 anos, de Altamira, na região do Xingu, conta que as pulseiras, colares e brincos de miçanga ilustram valores sagrados e animais-símbolo: “Esta pulseira, por exemplo, é o desenho da casca de jabuti, e o nome ‘jabuti’ é a tradução do nome da nossa aldeia no idioma xipaya [takurarê]”, apontando para o próprio punho.