Agricultores familiares participaram de uma oficina sobre o plantio de cacau, em São Domingos do Capim, nordeste do estado, na sexta-feira (27). A iniciativa é do Governo do Pará, por meio da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater-Pará) e contou com a participação de 27 pessoas.
A artesã Cleidiane Santiago participou da oficina e afirma que a iniciativa enriquece a capacidade de produção dos moradores das comunidades e da região do município, ampliando as atividades já realizadas pelos agricultores.
“Eu acho muito importante para nós agricultores porque isso nos incentiva a fazer uma nova experiência sem ser com o cultivo da mandioca, já tradicional aqui na cidade. Ainda não trabalho com a produção do cacau, mas eu acredito que essa nova experiência vai ser um avanço muito importante para mim e minha família. Eu sou artesã e também trabalho com o cultivo de mandioca e a Emater tem um papel muito importante para nós agricultores, pois sempre está nos incentivando a fazer novas experiências como o cultivo do cacau e do açaí”, disse Cleidiane Santiago.
A chefe do Escritório Local da Emater em São Domingos do Capim, Nara Martins, observa que a cacauicultura ainda não é muito presente na cidade, mas as duas comunidades que receberam a capacitação estavam sendo incentivas para a atividade. Em dezembro do ano passado, elas receberam sementes do fruto.
“As duas comunidades foram recentemente contempladas com a doação de sementes de cacau pela Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira (CEPLAC). A oficina foi realizada nas comunidades Damasco e Boa Viagem e foi ministrada pelos extensionistas rurais, Jerry Siqueira e Antônio dos Santos, ambos lotados no Escritório Local da Emater de Capitão Poço, que nos deram esse apoio”, afirmou a chefe do escritório da Emater.
O engenheiro agrônomo, Jerry Siqueira, informou que na capacitação, foram ensinadas técnicas de preparo do solo, manejo da área e sobre a importância da eficácia das análises do solo para, então, partir para as possíveis correções dele.
“Falamos para os produtores da necessidade que nós temos que ter com a questão do manejo do solo e para isso, para que se maneje corretamente, é necessário análise de solo. Então, nós orientamos como fazer coleta de solo para análise. Isso foi um tópico que a gente bateu bastante. E é claro que, mediante ao laudo de resultado da análise, a gente vai trabalhar em cima das correções do solo. Então, isso aí tudo faz parte da parte inicial antes do plantio das mudas: você ter um olhar todo especial para a questão desse preparo do solo. Depois vem a questão, após a correção do solo em área total, a abertura e preparo das covas, onde serão plantadas as mudas”, explicou Siqueira.
O engenheiro agrônomo explica ainda que para o plantio do cacau existem as técnicas de adubação, para que o fruto seja devidamente desenvolvido na área a ser plantada, assim como o espaçamento entre cada muda, também em conjunto com o plantio do açaí, atividade bastante comum na região de São Domingos do Capim.
“Tem toda uma questão de abordagem do preparo, da forma de abertura, da forma de adubação com matéria orgânica, com microelementos, com a questão do fósforo, a importância de cada um desses elementos para o desenvolvimento da planta. Antes do plantio a gente tem que ter definido os espaçamentos. Você tem espaçamentos se vai trabalhar com uma cultura somente ou se vai trabalhar com uma cultura em consórcio. Como normalmente a gente privilegia o cacau em consórcio com açaí e com outras espécies, na verdade para compor um sistema agroflorestal, então a gente abordou também bastante sobre espaçamentos. E alguns arranjos para a cultura do cacau, principalmente relacionado à cultura do açaí também e outras espécies regionais que podem compor esse sistema”, ressaltou.
Ao final, foi feita a demonstração de plantio e todas as técnicas na prática, assim como a questão relacionada à poda do cacau. “É uma prática muito importante para quem trabalha com a cultura do cacau, embora não seja o momento adequado fazer poda nesse período do ano. Mas a gente fez só um processo demonstrativo lá. Tinham algumas plantas e a gente acabou atendendo a solicitação deles também”, concluiu o engenheiro.
A capacitação também contou com o apoio da Prefeitura Municipal de São Domingos do Capim, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania e da Secretaria Municipal de Agricultura.
31/03/2026 15h05 - Atualizada em 31/03/2026 16h11 Por