Emater promove intercâmbio para agricultoras de Portel conhecerem práticas sustentáveis

cinco mulheres compuseram um grupo de sete agricultores em visita à Eco-Fazenda Escola Patú Anú

14/03/2025 10h55 - Atualizada em 29/03/2025 15h38
Por Aline Miranda

Ribeirinhas de Portel, no Marajó, estão sendo incentivadas pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) a adotar práticas mais sustentáveis no plantio de mandioca e a diversificar atividades a fim de segurança alimentar e renda. 

 Esta semana, cinco mulheres moradoras das margens do rio Pacajá participaram de uma imersão em um centro de pesquisa e treinamento situado no município vizinho de Breves. 

O intercâmbio para a Eco-Fazenda Escola Patú Anú, uma estação científica particular entre os rios Jejutewa e Pararijós, foi promovido pela Emater com o apoio da Associação Agroextrativista dos Produtores Rurais do Baixo Rio Pacajá (Agrupa) e da organização não-governamental (ong) Instituto de Desenvolvimento Evangélico (Ide). 

No total, de sábado passado (8), estrategicamente Dia Internacional da Mulher,  até segunda-feira (10), um total de sete agricultores vivenciou experiências de agricultura regenerativa, tecnologias ecológicas (biodigestores, energia solar e uso de bambu como “aço verde” para construção) e sistemas agroflorestais (safs), entre outras inovações. Também foram apresentados para projetos de criação de galinha-caipira e criação de peixe em tanque-rede. 

“Foi um aprendizado maravilhoso, muito importante mesmo. A primeira coisa que a gente na mesma hora absorveu foi a questão da queima: até o intercâmbio, a gente utilizava fogo pra preparar a área pro plantio de mandioca; a partir de agora, vamos substituir por adubação orgânica, fertilização natural”, conta a presidente da Agrupa, Eurilene Gomes, de 32 anos, proprietária do Sítio Duca Pereira, junto com os dois irmãos. 

Da mandioca, a família produz iguarias a exemplo de farinha, pé-de-moleque, tucupi e mingau.

Para o engenheiro florestal da Emater Milton Costa, especialista em Georreferenciamento de Imóveis Rurais, profissional responsável pelo intercâmbio, a oportunidade reforçou premissas valiosas do atendimento regular da Emater, no sentido de preservação e recuperação de florestas, difusão tecnológica, segurança nutricional e alimentar e geração de trabalho e renda: “É ver para crer. Quando o agricultor percebe a realidade, a viabilidade, o interesse e a motivação se concretizam: vimos ali que é possível produzir alimentos sem o uso do fogo, reaproveitando água, aproveitando luz solar, em harmonia com os elementos da natureza, e aplicação de técnicas como adubamento, espaçamento”, explica. 

Costa reforça, ademais, a questão de gênero: “A Associação era um grupo informal, Semente Nova, e se formalizou como Associação ano passado, com a orientação da Emater. A maioria dos associados é mulher e isso é muito importante, em termos de empoderamento, capacitação, igualdade’, diz. 

Sob a parceria com o Ide, a Emater está instalando, na sede daquela entidade,  um hectare de hortaliças, com destaque para beterraba e cebola: o objetivo é que a unidade funcione como laboratório e vitrine de métodos tais quais irrigação e sementeira, para as agricultoras atendidas.