Emater, Prefeitura e Associação juntam esforços para fortalecer piscicultura em Peixe-Boi

Iniciativa inclui capacitações e documentação de famílias

03/05/2024 10h31 - Atualizada em 21/05/2024 15h19
Por Aline Miranda

O escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Peixe-Boi, no Rio Caeté, está incentivando agricultores em situação de regularização fundiária a cultivar peixe em cativeiro, a fim de diversificação de renda e de segurança alimentar.

 No último sábado (27), 26 famílias da comunidade “Bomfim” I, na região do Anauerá, participaram de uma capacitação sobre tecnologia de piscicultura em tanque-suspenso.

 Demanda pela Associação dos Agropecuaristas da Produção Familiar Rural e de Conservação do Meio Ambiente da Comunidade do “Bomfim” I (Anauerá) de Peixe-Boi, Estado do Pará (AACB), a ação contou com a expertise de profissionais do escritório regional da Emater em Capanema, jurisdição responsável, em parceria com a Prefeitura.

As orientações teóricas e práticas resultaram na pré-instalação de uma unidade demonstrativa (ud) em uma área particular, mas de acesso coletivo, para visitação e conhecimento dos produtores interessados. O objetivo é que, daqui a 30 dias, a caixa-d’água de mil litros, abastecida e reciclada a partir de um poço-artesiano, comece a ser povoada com alevinos de tambaqui doados pela iniciativa privada.  

Para o presidente da AACB, Alcirlando Neves, de 53 anos, a oportunidade é de mais uma frente de profissionalização e de complemento socioeconômico. 

 Com quase mil aves nos três hectares do Sítio AJ, Neves é referência na produção de ovos-caipiras: são 2 mil e 500 por semana. 

A Liderança entende que, com piscicultura, é possível empreender, lucrar e ainda dispor de mais uma fonte de alimentos dentro de casa: “Muitas das famílias trabalham associadamente com piscicultura há um tempo, mas estamos apresentando melhor agora a alternativa de tanque-suspenso, em vez de açude escavado. Sob a nossa realidade, as vantagens são inúmeras: é uma forma de ajudar o meio-ambiente, a produção é maior, o custo é mais baixo”, detalha.


O chefe do escritório local da Emater em Peixe-Boi, o técnico agrícola Thomàz Wellington Silva, reforça o caráter de sustentabilidade da atividade, com ênfase na alta produtividade em pequenos espaços e superadensamento: “Em relação à água, por exemplo, a UD faz o papel de demonstrar: no caso, ali é um reservatório de água de mil litros, com os filtros, que são baldes de 100 litros, e a parte hidráulica: as conexões, os tubos. A água que alimenta o reservatório depois é reciclada, é reutilizada; essa é a finalidade da distribuição dos filtros, e isso torna a tecnologia sustentável, porque otimizamos os recursos hídricos - tanto superficiais, quanto subterrâneos”. explica. 

De acordo com o Gestor, o resultado do fortalecimento da cadeia produtiva é sobretudo de dignidade alimentar e nutricional: “É uma alternativa de um alimento proteico de qualidade diferenciada, no contexto de otimização da produção, redução dos impactos ecológicos, utilização de áreas não-úteis para agropecuária e garantia de preservação da água. Ou seja: os sistemas aquícolas integrados contribuem não somente para a segurança alimentar: contribuem para a soberania alimentar do município como um todo”, completa. 



Apoio

Os moradores do Bomfim I encontram-se em fase final de titulação  de terras, depois de uma disputa judicial com sentença a favor. Alguns ocupam as áreas há mais de uma década, já desenvolvendo atividades de piscicultura, além de criação de pequenos animais, como porcos e galinhas, e plantio e beneficiamento de mandioca. 

De acordo com avaliação consensual entre Emater e Associação, pelo menos 78 famílias do total de 130 associados são de enquadramento imediato para atendimento na perspectiva de políticas públicas da agricultura familiar, como a de crédito rural do Programa Nacional da Agricultura Familiar (Pronaf). A média de lote individual do perfil socioeconômico ali é de cinco hectares.  

Desde o ano passado esse grupo prioritário vem sendo incluído pela Emater no cadastro nacional da agricultura familiar (caf). A previsão do Órgão é, alcançando a emissão de caf físico de no mínimo 60% do quadro social da Associação, entregar o caf jurídico da Organização no segundo semestre, o que permitirá a participação em mercados governamentais, tais quais Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e Programa Nacional de Alimentação Escolar (Pnae). 

Conforme o secretário municipal de Assistência Social  de Peixe-Boi, Flávio Rodrigues, a parceria com a Emater considera a importância das políticas públicas como ferramentas para abastecimento alimentar do município e geração de trabalho e renda, em um sentido além do setor produtivo - também de extensão social: “Na zona rural existe um público que ainda depende de programas sociais, de transferência de renda, por exemplo. Quando possibilitamos às famílias que se capacitem, que recebam recursos, que se documentem, isso repercute não apenas no sustento de cada uma, mas no motor do município, na reversão de vulnerabilidade socioconômica e na independência socioeconômica”, pontua. 


Serviço: para mais informações acerca da história da AACC e dos agricultores familiares associados atendidos pela Emater em Peixe-Boi, visite o instagram @comunidade_bomfim_peixeboi