06/05/2026 10h32 - Atualizada em 07/05/2026 08h17 Por Aline Miranda
Sob o apoio do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Ponta de Pedras, no Marajó, e da Prefeitura, doze famílias da Vila Crairu acabam de receber novos matapis de palmeira jupati para capturar camarão regional com mais sustentabilidade.
Com espaçamento diferenciado entre a amarração interna das talas, o que limita a retenção a camarões adultos, os instrumentos confeccionados por artesãos do município atendidos pela Emater foram entregues nos últimos dias, no âmbito do projeto multiinstitucional Matapi-Pari. Na prática, os furos muito maiores do que aqueles dos matapis convencionais liberam os filhotes, na garantia da reprodução regular da espécie Macrobrachium amazonicum, conhecida como “camarão–da-amazônia” .
As ações conjuntas do Matapi-Pari por si só também se reforçaram pela renovação, no fim de abril, do termo de cooperação técnica entre Emater e Prefeitura. A parceria geral assegura, ademais, compartilhamento de força-de-trabalho especializado, suporte de insumos logísticos e efetivação do Floresta + Amazônia, no contexto do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNud).
A partir do Floresta +, do qual a Emater participa de forma direta com mobilização e cadastro, 145 agricultores familiares de Ponta de Pedras já receberam um total de quase R$ 800 mil em pagamentos por serviços ambientais (psa), pela preservação de cerca de três mil hectares de floresta, desde 2025.
“ Integramos ações da Emater e da Prefeitura em um sentido não só de assistência técnica, mas de caráter educativo: promovemos conscientização socioambiental, palestras, visitas técnicas às propriedades e acesso às políticas públicas. Além disso, estamos construindo juntos, com os próprios pescadores, com as instituições afins e com a sociedade civil o Acordo de Pesca do município”, resume o chefe do escritório local da Emater em Ponta de Pedras, Martinho Morinaka, técnico em agropecuária.
No mesmo período, ainda, via projetos da Emater, 60 famílias ribeirinhas assinaram contrato de crédito rural da linha B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf) com o Banco da Amazônia (Basa), para pesca artesanal de peixes como cachorrinho-do-padre e tamuatá. Outras oito famílias assinaram contrato para manejo de açaizal nativo.
Os valores individuais de R$ 4 mil devem ser creditados até o fim desta semana, em benefício das comunidades Porto Santo, Rio Araraiana, Rio Cupichaua, Rio Crairu, Rio da Ilhinha, Rio Fábrica e Rio Tijucaquara.
Crédito Rural
De rabeta ou bote, parado ou “de bubuia” (como se “ao sabor da correnteza”, em linguagem paraense), o casal Elinete Silva, de 54 anos, e Mauro Sena, de 57 anos, chega a pescar com rede 50 quilos por dia de aracu e sarda no rio Arapinã.
“Depende da água. Quando é tempo, a gente sai 5 da manhã e só volta à tarde. Esse peixe a gente vende na rua mesmo, ‘em cambada’ [em gancho], ou por encomenda, pra quem já é cliente. E o que é nosso a gente separa pra comer em casa, frito, cozido, junto com o açaí que a gente colhe e bate. Eu, por exemplo, só almoço e janto se tiver açaí”, conta Eline.
A família é uma com crédito rural de agora. Os recursos serão utilizados para reformar o barco e adquirir apetrechos.