Emater e Basa entregam primeiro crédito rural indígena da história de São Geraldo do Araguaia

incentivo é para avicultura para os Suruí Aikewara

05/11/2026 11h16 - Atualizada em 05/11/2026 11h17
Por Aline Miranda

Nesta quinta-feira (5), por meio de projetos elaborados pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em São Geraldo do Araguaia, no sudeste paraense, indígenas Suruí Aikewara  estão protagonizando o primeiro crédito rural para o povo indígena do município. 

Quatro famílias da Terra Indígena Sororó recebem cada uma R$ 4 mil reais da linha B do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), pelo Banco da Amazônia (Basa). Outros 30 contratos devem ser assinados até o fim do ano.

 O objetivo é expandir e aperfeiçoar com tecnologias sociais a criação de galinha-caipira na aldeia Sororó, bem como estender a política pública de financiamento para as outras três aldeias em São Geraldo: Ipirahy, Itahy e Yetá. 

Tainá Suruí, de 32 anos, é uma das beneficiárias de agora. Junto com o marido, Kupitawa Suruí, de 33 anos, ela já cria 30 aves de corte. 

“Queremos aumentar a quantidade e melhorar a qualidade. Os frangos a gente vende aqui na Aldeia mesmo e na cidade. A gente também come em casa: assado, cozido”, diz. O casal tem quatro filhos meninos, com idade entre seis e 15 anos. 

Para Tainá, a atuação da Emater “ajuda muito”: “A minha visão é que o Governo chega aqui e dá oportunidades. O caf [cadastro nacional da agricultura familiar], por exemplo, é um documento de oportunidades”, diz. 

O chefe do escritório local da Emater em São Geraldo do Araguaia, o técnico em agropecuária Domingos Helson Coelho, considera que a efetivação inédita de crédito rural para povos indígenas no município é uma abertura histórica: “São e foram muitos desafios enfrentados para que a Emater conduzisse, em parceria com o Basa, a concretização da política pública do crédito rural para indígenas em São Geraldo. A Emater aqui já atende a Terra Indígena Sororó há cinco anos, mas este ano intensificamos o processo. O atendimento a povos indígenas exige algumas peculiaridades: é um serviço multidisciplinar de persistência e de atenção e sobretudo de respeito às tradições e cultura”, resume.