Com o apoio da Emater, políticas públicas melhoram vida de quilombolas do Marajó

mutirão emitiu cafs nas comunidades Costeira e Nova América 

10/02/2026 11h18 - Atualizada em 10/02/2026 20h04
Por Aline Miranda

Com o cadastro nacional da agricultura familiar (caf) emitido pelo escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) em Oeiras do Pará, no Marajó, 160 quilombolas devem requerer, nos próximos meses, recursos do Minha Casa, Minha Vida Rural (MCMVR), do governo federal, para construção de novas moradias. 

As famílias das comunidades Costeira e Nova América, nos Km 53 e 56, respectivamente, da rodovia BR-422, receberam o documento agora em fevereiro, em um mutirão da Emater demandado pelas Associações próprias (Associação Remanescente das Comunidades Quilombolas de Costeira - Arquico e Associação Remanescente de Quilombos da Nova América - Arquina), bem como colaborado em logística pela Prefeitura.

Da sede do município até a região, a viagem é de pelo menos duas horas de lancha pelo Rio Anauerá e mais uma hora e meia de carro na estrada. 

 A partir do CAF, requisito obrigatório quanto ao acesso a políticas públicas rurais, serão formuladas propostas habitacionais ante a Caixa Econômica Federal (CEF), com o objetivo de substituir as atuais casas de madeira, sem banheiro dentro, por estruturas completas de alvenaria. 

O CAF também constará na habilitação continuada ou inicial ao Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), já nos editais de 2026.

“Hoje a gente se permite não só sonhar, mas concretizar uma vida melhor, na qual nossa mercadoria é valorizada, temos escoamento e venda, e nossa qualidade de vida é mais digna e mais cidadã. Eu atribuo à Emater e à Gestão Municipal as informações e os serviços que chegam até nós, porque até um ano, dois anos atrás, a gente nem sabia que existiam esses direitos pro nosso povo. É uma porta que Deus abriu”, diz  Rosimeyre Maciel, de 30 anos. 

Ali, na Comunidade do Costeira, o arranjo é coletivo. Rosimeyre convive e trabalha junto com os pais, Francidalva Martins, de 49 anos, e Raimundo Maciel, de 57 anos, mais o núcleo da irmã mais nova: Rosiane Maciel, de 27 anos, o marido, João Carlos Cavalcante, de 52 anos, a primogênita de Rosiane e enteada de João Carlos, Maria Isabelly, de 10 anos, e os quatro filhos do casal - Carlianey, de nove anos; João Carlos, de oito anos; Camilly, de seis anos, e Ana Caroline, de cinco anos. 

“Somos uma grande família e fazemos tudo unidos. Fazemos de tudo um pouco, plantando e colhendo, sempre nos reinventando, em busca da sobrevivência e de um futuro bom”,  resume. O clã mantém roças de mandioca e canteiros de hortaliças. 

Para a engenheira agrônoma do escritório local da Emater em Oeiras Lenize Mayane Alves, especialista em Educação no Campo e Agroecologia, a presença da Emater in loco entre os quilombolas reafirma o compromisso com as tradições e a história amazônica: “São jornadas de atendimento e consagração de direitos históricos. Com a parceria da Prefeitura, conseguimos nos inserir na realidade e satisfazer demandas. As políticas públicas consolidam existência, segurança alimentar e nutricional e geração de trabalho e renda”, resume.