02/06/2026 11h23 - Atualizada em 02/06/2026 11h50 Por Aline Miranda
Na Ilha de Cotijuba, distrito de Belém, sob orientação direta do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater) dessa capital, 14 mulheres produtoras de mel da Vila central e de dez comunidades rurais acabaram de concluir, cada uma em sua propriedade, a instalação de um sistema ecológico de tratamento de água e esgoto que agrega saneamento básico, fertilização do solo e proteção dos lençóis freáticos. O último mutirão realizou-se no fim de maio.
O processo de instalação, iniciado em janeiro, foi financiado com recursos captados pelo Movimento de Mulheres das Ilhas de Belém (MMib) pela participação, no mesmo mês, no quadro The Wall, do programa de TV Domingão do Huck, da Rede Globo: com lançamento de bolas e respondendo a perguntas, o grupo conquistou R$ 183 mil e 900 reais.
O sistema completo em questão é uma estrutura adaptada há mais de uma década pela técnica em agropecuária da Emater Taciana Miranda, também permacultora, do escritório local de Belém.
A versão inovadora e autoral mantém um mecanismo suspenso, próprio para ilhas. Consiste em dois arranjos: círculo de bananeiras e bacia de evapotranspiração (transformação da água do estado líquido para vapor) - BET. A água abastece as necessidades das famílias e se renova sem poluir o ambiente em volta.
“São duas metodologias, duas tecnologias sociais, com as quais trabalhamos. O círculo é para tratamento das águas ditas ‘servidas’ - ou seja, a água da pia, do chuveiro, da máquina de lavar. É o reaproveitamento da água aproveitada no dia a dia das casas. E a bacia vem para as águas dos dejetos humanos - urina, fezes”, explica Miranda.
De acordo com a especialista, as tecnologias sociais melhoram a qualidade de vida na zona rural: “São simples, baratas, de fácil reaplicação, de fácil manutenção; e sobretudo: desenvolvidas a partir do saber popular, da tradição e da cultura nativa”, completa.