Com Emater, crédito rural em Alenquer destaca mulheres pescadoras

16 pescadoras acabam de receber recursos diretamente em conta bancária para comprar apetrechos para a atividade

01/07/2024 12h09 - Atualizada em 22/07/2024 04h40
Por Aline Miranda

Em Alenquer, no Baixo Amazonas, a pescadora Sandra Bentes, de 37 anos, sai de casa ao nascer-do-sol, na comunidade Boa Esperança, acreditando que a sorte do dia dependerá sempre da vontade divina. “Tem vez em que Deus diz: ‘Minha filha, hoje não é pra ti’, e a gente aceita, porque faz parte da nossa história”, relata. Na pequena embarcação de rotina, que corta os lagos e igarapés da região a partir do rio São Pedro, Bentes chega a capturar até 70 quilos por semana de espécies como surubim e tucunaré. 

Neta, filha e mãe de pescador, a trabalhadora rural acaba de receber crédito especificamente para pesca artesanal a partir de um projeto do escritório local da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado do Pará (Emater). No último dia útil do mês de junho, em ato solene na sede municipal da Emater, no bairro Aningal, foram assinados 50 contratos do Programa Nacional de Microcrédito Produtivo Orientado (PNMPO) pelo Banco do Brasil (BB), sob um montante de mais de meio milhão de reais para a compra de apetrechos, motor-rabeta e casco de alumínio, entre outras necessidades. 

Depois de uma pausa de 13 anos de política pública de financiamento para o setor no município, em 2024 o Governo do Estado desbloqueou burocracias e reativou o acesso, com destaque para a presença feminina nos rios, lagos e igarapés de Alenquer: no grupo de agora, são 16 mulheres chefes-de-família, cada qual incorporando em média R$ 11 mil.

“Também é uma sorte de pescador,  porque as pessoas da Emater vieram aqui e falaram que conseguiriam esses recursos pra nos apoiar. É uma grande alegria que conseguiram de verdade. É um apoio enorme”, diz Bentes. Ela própria considera um desafio mulheres viverem da pesca: “Enfrentamos machismo e a dupla-jornada doméstica, como a maternidade. Daí nossa vida é adaptar: as condições físicas das mulheres são diferentes, então somos muito cuidadosas pra medir força, pra evitar acidentes; temos filhos em casa, então fazemos um calendário que não nos deixe ausentes por dias; são várias questões”, detalha. 

Planejamento

A expectativa da Emater é aumentar o atendimento ao segmento em mais de 400 % até o fim do ano: dos atuais 130 para 700 famílias, na abrangência de 26 núcleos de pescadores. 

De acordo com o responsável pelo atendimento em nome da Emater, o técnico em agropecuária Waldomiro Yared, o contigente de 700 famílias ultrapassará a oportunidade de R$ 7 milhões de crédito rural. 

“É uma iniciativa muito importante para a economia de Alenquer, haja vista que proporciona aos pescadores e pescadoras os recursos necessários para desenvolverem suas atividades”, aponta.